Instituições de Longa Permanência para Idosos: asilo ou um novo caminho para casa?

por Dr. Jerson Laks (Diretor Clínico do Solar da Gávea)

O aumento do percentual de idosos no total da população brasileira e, em particular, no Rio de Janeiro tem dado brecha à revisão de vários conceitos anteriormente sedimentados. Um deles se refere ao estigma da institucionalização dos idosos por parte de seus familiares e de opções dos próprios idosos sobre em que condições preferem viver, se ainda em casa ou em um novo lar, uma instituição adequada e desenhada para atender suas necessidades.

O estigma ligado ao “asilamento”, como se as instituições de longa permanência fossem locais para onde os idosos são deslocados de sua residência anterior sem maiores satisfações e cuidados, já não é mais tão forte. Há, sem dúvida, uma crescente compreensão de que muitas vezes os idosos no seu lar ficam mais isolados, solitários, sem poder prover adequadamente de exercícios, lazer, alimentação adequada e socialização. Visitas dos familiares muitas vezes se tornam esporádicas, nem sempre porque há abandono, mas também porque as múltiplas ocupações e preocupações de filhos e netos hoje em dia podem fazer com que essas visitas sejam mais espaçadas.

Contribui para a noção mais vigente hoje em dia de que as instituições de longa permanência para idosos são parte fundamental dos cuidados para prevenção de problemas e fatores importantes para a promoção de mais qualidade de vida tanto para os idosos como para suas famílias o fato de que todos os cuidados dispensados e oferecimento de rotinas e de atividades que reforçam a independência dessas pessoas podem ser mais bem planejadas e vivenciadas nestes espaços.

O Solar da Gávea, instituição com mais de 12 anos de existência com esta filosofia, dispõe de um atendimento integral de cuidados voltados para os idosos com problemas que ocasionem demência, em especial para pessoas com Doença de Alzheimer. O foco não é tratar medicamente do ponto de vista em sentido restrito, mas sim promover uma vida cheia de significados e continuidade. Um novo caminho para um lar que seja reconhecido pelo idoso e por seus familiares. Uma equipe que seja a família estendida dessa pessoa. Estabelecer estas rotinas em casa é, muitas vezes, impossível, uma vez que é difícil que se façam deslocamentos para locais onde as atividades acontecem. Assim, estigmas caem rapidamente quando se visitam os idosos e se constata que nesse ambientes eles estão à vontade, seguros e felizes.

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